Antes de Charles Bonnet, quero comentar sobre alucinações (um fenômeno, talvez) hipnagógicas. Já leu ou já ouviu falar sobre isso? Depois você me responde. Venha comigo.
Não lembro exatamente qual livro do Oliver Sacks que comenta sobre as hipnagógicas. Lembro apenas que, no dia em que estava lendo esse livro que cita essa alucinação, exclamei em bom tom: tenho essa síndrome!
Tempos em tempos, quando ainda estou lendo à noite ou preso no computador, cochilo e “vejo” sombras, vultos e imagens. Para mim, mais reais que os sonhos. É tão real que assusta. São coisas de segundos: abro os olhos e a sensação é de um curta-metragem em preto e branco. Um Cidadão Kane, melhores momentos, algo assim.
O próprio Sacks me orientou que isso poderia ser causado pelo cansaço, pelo pouco tempo de sono. Que não era para me preocupar. Hoje serve como alerta: quando tenho alguma ‘alucinação’ no cochilo, vou cedo para a cama, mesmo que um pesadelo me acorde antes do tempo.
E agora, me responda: já sabia o que é a alucinação hipnagógica?
Agora sim, Síndrome de Charles Bonnet. Escuto muito sobre essa síndrome porque as pessoas que perderam a visão ou têm baixa visão relatam as alucinações visuais com que convivem diariamente. São imagens “reais”, não menos assustadoras, mas, como relatam alguns amigos, têm consciência dessa alucinação. Enxergam luzes, pontos, pessoas, rostos, muitas vezes em detalhes. Degeneração macular decorrente da idade é uma das causas dessa síndrome. Menos comuns, mas também preocupantes, são catarata, glaucoma e retinopatia diabética (outras doenças oculares que podem provocar a Síndrome de Charles Bonnet).
Tanto a Charles Bonnet quanto a hipnagógica são condições que não significam que as pessoas estão enlouquecendo, apenas um sinal de cansaço — no meu caso — ou de doenças oculares. Enquanto a loucura ou o declínio não chega, contento-me em ver alguns vultos. Mas não enlouqueci, ainda.





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