Dois filósofos pouco discutidos na Educação Especial, Emmanuel Levinas e Martin Buber, me ajudam a compreender o rosto das pessoas. Em especial, a fisionomia de pessoas que não enxergam e a expressão das que não escutam. Os cegos não veem o rosto, mas percebem sua acolhida pela voz e pelo silêncio do outro. Já os surdos dependem do rosto para se comunicar e viver. “Olhar” duas pessoas se comunicando pela Libras comprova que o corpo pode ser comunicativo e profundo. Os olhos mapeiam o andamento da comunicação.
O “rosto levinasiano” expressa a vulnerabilidade e a nudez do outro. Para a teoria de Emmanuel Levinas, o rosto irrompe exigindo responsabilidade, pois carrega o apelo silencioso: “Não matarás”. Um rosto pouco comunicativo, sem interesse real para conversar com uma pessoa cega, pode ser a razão das tão frequentes falas: “Mas eu não sei me relacionar com cegos!” Essas pessoas ainda não sabem que se comunicar não precisa de capacitação técnica.
Olhar a expressão facial de uma pessoa cega, como afirma Levinas, representa sua vulnerabilidade e humanidade. É uma expressão despudorada, portanto verdadeira e íntima. A comunicação pela Libras exalta a interação entre expressões fisionômicas. O “eu” deve se responsabilizar pelo outro sem esperar nada em troca, assumindo que a humanidade do sujeito nasce no momento em que ele se coloca a serviço do outro. Sem olhar, não há comunicação.
Se o olhar é expressão fundamental da inclusão, o rosto é a porta das expressões de intimidade e segurança. O olhar como ato de reconhecimento.





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