Dia 28 de outubro é comemorado o Dia Mundial do Judô, criado pelo Sensei Jigoro Kano (nascido em 1860). Kano era um estudante de Filosofia, Ciência Política e Economia, franzino, e praticante de Jujutsu, uma luta muito praticada na época do Império, em que as lutas de chão eram fundamentais.
Aos 22 anos, em 1882, Kano funda a Kodokan, primeira academia de judô do mundo, com a simbologia e a entrega no “caminho suave” — esse é o lema do judô. Com muita persistência e estudo, Jigoro Kano oferece ao mundo uma nova forma de exercitar o espírito e o corpo. Belonging — ou seja, pertencimento — era a busca que Jigoro Kano estabeleceu como meta. Todo mundo poderia ser acolhido e pertencer à família do judô.
Comecei a treinar judô aos 10 anos; aos 20, fui aprovado no exame paranaense de faixa preta. Foram muitos anos em cima dos tatames. Talvez, sem ironia, até porque já escrevi sobre isso, meu maior aprendizado no judô tenha sido aprender a cair, em todos os sentidos: levantar e insistir no aprendizado. Aprendi a cair e aprendi a perder — as lutas, lógico. Vencer, foram consequências da persistência.
Outro aprendizado com o judô foram minhas aulas, do jardim de infância aos treinamentos com judocas cegos. Se o corpo para o judô (caminho suave) deveria ser como uma cerejeira (Sakura), flexível e resistente, aprendi com muita dedicação esse caminho. As competições eram apenas um ritual, mas a entrega na profissão fortaleceu meu caráter e minha postura frente aos golpes que teria de enfrentar.
Sou da geração do Aurélio Miguel, campeão olímpico e várias vezes mundial. O Paraná, um celeiro de grandes nomes. Tive a sorte de aprender judô com Ney Mecking, didaticamente impecável. Como atleta, um ídolo. Essa combinação deixou legados, apesar dos muitos anos em que não visto um kimono.
É por isso que não poderia deixar de lembrar dessa data e de uma das frases mais marcantes de Kano:
“Nunca te orgulhes de haver vencido a um adversário; aquele que venceste hoje poderá derrotar-te amanhã. A única vitória que perdura é a que se conquista sobre a própria ignorância.”





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