…Estava a velha em seu lugar, veio a mosca lhe fazer mal. A mosca na velha, a velha a fiar…
Uma música antiga, que representa ainda muitas situações no nosso dia a dia. Uma dessas situações que me faz lembrar da música é a rotina de quem precisa frequentar as ciclovias de Curitiba. Faço uso da ciclovia por vários motivos, mas principalmente porque me desloco de bicicleta para evitar o uso do carro. O resto é lazer; mesmo assim, há incômodos.
Por definição, a ciclovia é de uso exclusivo de bikes e ciclos em geral, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A principal finalidade é a segurança para os ciclistas, evitando acidentes. Até aí é do conhecimento de muitos, mesmo que esqueçam esse propósito.
A cidade de Curitiba, assim como a maioria das capitais brasileiras, divulga permanentemente, para todos os cantos do mundo, os quilômetros de ciclovias que existem em sua malha. Esquece-se, porém, de mencionar que 90% desses trechos também são usados por pedestres, já que não existem calçadas próximas, ou, se existem, são intransponíveis. Por isso as placas informam que as vias são “compartilhadas”.
Nos finais de semana, a tensão aumenta durante os passeios — o que não é o meu caso —, pois as vias tornam-se espaço de lazer das famílias. Os cachorros, com ou sem coleiras, quase sempre ocupam toda a extensão da ciclovia; crianças participando de uma COP 30 improvisada; pais achando que o espaço é um parque da Disney; ciclistas de final de semana se preparando para o Tour de France; pista de teste para bikes elétricas; grupos de ciclistas que encontraram nos passeios de bike o melhor cenário para tirar fotos. Conheço muitas pessoas que desistiram da ciclovia. Do espaço projetado para segurança, ao espaço do desassossego.
Assim é o “compartilhamento” da ciclovia: enquanto acreditamos que a ciclovia serve como remendo, nossas calçadas inexistentes ou precárias empurram toda a população para se divertir confinada em uma propaganda política. Até quando vamos nos contentar com o inacabado?





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