O caso da maratonista Rachel Apa, de 24 anos, na Maratona de Nova York, no último fim de semana, abalou a comunidade esportiva internacional. Faltando poucos quilômetros para completar a prova, Rachel desmaiou no asfalto e morreu a caminho do hospital. Diagnóstico: rabdomiólise.
Nem sempre as discussões sobre esporte e morte no âmbito esportivo e social são conclusivas e condizentes com a realidade. As conclusões quase sempre vêm de fontes incertas e imprecisas. Uma rápida busca em artigos científicos sobre o tema revela que a produção ainda é escassa. A discussão sobre rabdomiólise induzida pelo exercício (RIE) após a morte de Rachel concentra-se apenas no esforço intenso e repetitivo da atleta. Apenas essa informação é insuficiente para um diagnóstico. Se fosse verdade, dezenas de maratonistas morreriam durante as provas de maratona.
A RIE apresenta o seguinte quadro clínico: mialgia, fraqueza muscular e urina escura. Esses sintomas também podem estar relacionados a outros problemas, daí a necessidade de uma boa avaliação. Isso porque nem sempre esses sinais estão presentes. Correr uma maratona sem sentir dor é algo difícil de encontrar entre 30 mil corredores. Urina escura é fácil de encontrar, e fraqueza muscular é consequência de um esforço muito prolongado.
Por tudo isso, a loteria da vida fez mais uma vítima, sem esquecer que não conhecemos o histórico atlético da corredora, se ela usava algum medicamento, se fazia uso de hormônios, se já sofria de alguma doença. Tudo isso poderia ter contribuído para provocar a tragédia. A RIE em estado grave provoca destruição rápida das fibras musculares e, portanto, falência metabólica generalizada. Tudo isso devido à liberação intracelular de mioglobina, potássio e da enzima creatina quinase (CK). Esta última (CK) é usada para avaliar a função muscular e serve como marcador de lesão; ou seja, em corridas de maratona, ela é usada para regular e avaliar as funções do tecido muscular.
A forma abrupta como aconteceu com Apa merece um estudo aprofundado – pelo que sei, já há médicos fazendo estes estudos. Antes disso, continuar correndo com atenção especial aos sinais do corpo continua sendo uma ótima opção de saúde e lazer. A morte de uma corredora nas condições como a de Rachel, não podem inibir o desejo de milhares de corredores que não apresentam nenhum sinal de doenças.
p.s. escrevi essa postagem ontem de manhã (04/11), à noite (por isso o p.s.) leio uma reportagem sobre a morte de um corredor no Parque Ibirapuera, estava treinando. Acusam a demora de 11 min. para a chegada do desfibrilador da causa da morte. Sem entrar no mérito, mas o caso do Ibirapuera é parecido com o da maratona de NY. Jamais teremos condições do controlar o estado de saúde dos milhões de brasileiros que estão correndo por todo país. A demora no atendimento em ambientes abertos é previsível, precisa melhor e é imprescindível, entretanto, assegurar que ninguém mais vai morrer correndo é impensável. Casos como estes serão o nosso normal.





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