O título desta postagem é o mesmo da matéria publicada em 05/10/26 na Folha de S.Paulo, que aborda os excessos dos exercícios físicos e suas consequências. Como o artigo se baseia em um estudo científico realizado fora do Brasil, ficamos um tanto desprotegidos, pois, por aqui, ainda sabemos muito pouco sobre o assunto. Veja um recorte da matéria:
“Os estudos analisados encontraram percentuais entre 3% e 42% de praticantes classificados como em risco de dependência. Em grupos específicos, os índices chegaram a 6,1% entre ciclistas espanhóis, 15,4% entre maratonistas italianos e 7,6% entre atletas dinamarqueses de elite. Os autores atribuíram a variação às diferenças entre as populações e modalidades estudadas, ao uso de amostras pequenas e selecionadas e à interpretação de questionários de rastreamento como instrumentos de diagnóstico”.
Não é de hoje que pesquisadores internacionais buscam mais informações sobre esse “vício”; segundo o texto, cientistas já estavam “na pista” desde a década de 1970. Presume-se que a dependência em atividades físicas venha sempre acompanhada de perdas sociais, familiares e, principalmente, profissionais. Atletas profissionais e amadores que se exercitam além do que a ciência considera seguro estão presentes em todos os esportes. O volume de treinos e a frequência diária são as características principais para identificar esse perfil.
Outros parâmetros nesta análise são imprescindíveis. Para atletas de elite, uma pessoa correr 30 km como treinamento parece natural; para a maioria, porém, isso já configura overtraining. A análise desse caso passa pelo rendimento físico e pela fadiga: se o rendimento não é constante e o cansaço é diário, atende-se à expectativa de um excesso de treino. Se esse comportamento for obsessivo, podemos considerá-lo um vício. Outra característica marcante é sentir-se mal quando não é possível treinar conforme o planejado. Faltar ao treino? Jamais.
“(…) Os pesquisadores diferenciam ainda o quadro primário, no qual a recompensa está no próprio exercício, do secundário, em que a prática excessiva serve a outro problema. ‘Pressões relacionadas à aparência e ao desempenho, juntamente com condições como ansiedade e depressão, tendem a estar por trás do comportamento’, dizem os pesquisadores. Transtornos alimentares, transtorno dismórfico corporal e dismorfia muscular estão entre as condições associadas”.
Existe tratamento para isso? O único caso que conheci de perto — um conhecido que foi impedido de treinar por alguns meses devido a uma lesão grave — precisou procurar um psiquiatra. A matéria complementa:
“A terapia cognitivo-comportamental é a abordagem mais estudada, embora as evidências sobre o tratamento do vício em exercício ainda sejam limitadas”.





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