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Poeminha de domingo

Despedida

Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.

Vocês não escapam, não há remédio

contra o vazio e o atemporal.


Mas um estranho sinal desta ardente brisa

me rodeia com seu sopro; não há saída

ao vazio de tempos bloqueados.


Vocês viram o riso com que me entreguei.

Sabiam o quanto eu, em silêncio, ocultei,

para deitar na relva e estar com vocês.


E agora o sangue, que nunca reprimi,

me chama ao barco que jamais conduzi.

A morte é na vida, eu sei, eu sei.


Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.

Vocês não me perderão. Como gesto

deixarei esta folha, esta flama.

Poemas (1923-1926)

Hannah Arendt


set 27, 2026Carlos Mosquera
Em algum lugar - oremos

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Carlos Mosquera
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