Despedida
Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.
Vocês não escapam, não há remédio
contra o vazio e o atemporal.
Mas um estranho sinal desta ardente brisa
me rodeia com seu sopro; não há saída
ao vazio de tempos bloqueados.
Vocês viram o riso com que me entreguei.
Sabiam o quanto eu, em silêncio, ocultei,
para deitar na relva e estar com vocês.
E agora o sangue, que nunca reprimi,
me chama ao barco que jamais conduzi.
A morte é na vida, eu sei, eu sei.
Deixem-me dar-lhes a mão, dias etéreos.
Vocês não me perderão. Como gesto
deixarei esta folha, esta flama.
Poemas (1923-1926)
Hannah Arendt





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