Dificilmente você vai encontrar nos dias de hoje um frequentador de academia de musculação que não esteja com fones de ouvido. Os estudos e discursos sociológicos do comportamento humano já discutem isso algum tempo. A questão não é comparar gerações, é entender as razões da individualidade. Frequentar ou treinar em uma academia pode ser ideal para quem não quer conversar ou se sociabilizar. Isso é o que chamamos de individualismo.
Tempos atrás era muito difícil conhecer alguém que não gostava de jogar futebol, volei, basquete e todos os outros esportes de equipe. Se as brigas entre os praticantes (jogadores) do mesmo time ou adversários era comum, o aprendizado de viver em grupo, por sua vez, era certo. Aprendemos a respeitar regras, convívio, a perder, contribuir com a esquipe e esperar a nova oportunidade. A escola era a participação em grupo. Fazíamos questão de encontrar os amigos para jogar. Hora marcada todos os dias. Nos dias de hoje encontrar reunião de amigos ou ‘atletas’ – fora as escolinhas de futebol – amadores jogando algum esporte coletivo pela cidade, é coisa de outro século.
As opções pelo esporte individual, além da academia de musculação, são muito bem representadas pela corrida. Mesmo que existam, hoje em dia muitas assessorias, a corrida simboliza esta mudança de comportamento – pelo menos, esportivamente. Também é muito comum os corredores usarem fones de ouvido, mesmo que saibam do perigo. Outro esporte individual que atende este público ‘individualista’ é o triathlon. Cresce anualmente e assustadoramente o número de praticantes, mesmo que o esporte demande muitas horas de treino na semana, já que são três modalidades.
Outra mudança conceitual nas práticas esportivas são os complementos, principalmente o uso de planilhas, relógios e celular. Este último até para nadar está perto do ‘atleta’. São outros tempos, uma modernidade geracional que optou pelo isolamento do seu corpo mesmo próximo de outros. Os benefícios da prática motora é inquestionável, o que não sabemos é se esse esforço todo serve apenas para aparecer nas redes sociais ou questões pessoais. Se for por causa da rede, só isso não sustentará o prazer em frequentar ambientes ‘solitários’.
Para fechar com um exemplo: para correr 20 km ou nadar 4 km, se não for por prazer, ninguém sustenta isso por muito tempo.





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