(…) O gol é o clímax absoluto dessa jornada épica e imprevisível. No momento exato em que a bola estufa a rede, o tempo simplesmente para de existir. Nesse grito rasgado que arranha a garganta, o nosso eu individual se dissolve completamente e nós viramos pura energia pulsante espalhada pelo ar.
É um êxtase coletivo que espanta o vazio existencial e nos faz sentir vivos de um jeito absurdo e incontrolável. É a prova definitiva de que o caos e o sofrimento angustiante dos 90 minutos podem ser transformados em uma ordem cósmica perfeita e absurdamente bela.
Mas a derrota traz um luto pesado e silencioso que cobre as ruas como uma neblina fria e implacável. A eliminação em uma Copa do Mundo não é uma frustração qualquer que se esquece no dia seguinte com uma xícara de café forte. A esperança morre ali no gramado, e somos obrigados a voltar para a realidade dura e cinzenta da segunda-feira sem a armadura da ilusão (…)
Por Waldemar Magaldi Filho (FSP 30/6/26)





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