Silêncio. Como essa palavra pode doer. Ficar quieto por alguns minutos já é difícil para muitos; por um dia inteiro, soa quase impossível para nossa espécie barulhenta. Erling Kagge, autor do Livro Silêncio que divulguei em postagem anterior —, é um defensor radical dessa prática. E leva ao pé da letra.
Ele prega viagens em meio à natureza, deixar os aparelhos eletrônicos em casa, seguir por rumos onde tudo ao redor é deserto. Rituais que deveriam ser mais comuns, pelo menos entre aqueles que têm tal possibilidade. Como o próprio Kagge pondera: “O importante, claro, não é o que eu acredito. Mas que todos sigam pelo seu próprio caminho.” Basta isso.
O silêncio, no entanto, assusta. Precisamos estampar o mundo com sons para nos refugiarmos na mesmice confortável da vida: o ronco dos carros, o murmúrio das vozes, as músicas de fundo, os gritos, a raiva, o ruído contínuo da existência. Temos medo do silêncio porque ele pode nos denunciar, expor vozes internas que abafamos com tanto barulho. “Talvez o silêncio traga consigo o deslumbramento, mas também porque traz uma certa majestade em si, como um mar ou uma infinita planície nevada.” Quem não se entrega a essa majestade, teme. Medo do que está escondido, da solidão, dos ecos desconhecidos que surgem quando calamos o mundo exterior.
Silêncio é silêncio, não confundir com o existencialismo de J. P. Sartre “a existência precede a essência”. Entretanto, Sartre também nos provocava ao silêncio “abraçar a nossa liberdade é tão importante quanto acolher o nada”.
Se Kagge prefere a natureza, cada um pode encontrar seu próprio espaço para “conversar” com o silêncio. É uma aprendizagem diária, um jeito novo e antigo de viver. Experimente: escute seu silêncio. E verás quem és.





Deixe um comentário