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A minha primeira maratona e a maratona “da ponte”.

Já se passaram quase quarenta anos desde que o Clube Santa Mônica (em Curitiba/PR/Brasil) decidiu realizar a primeira maratona no Paraná. Certamente não foi um projeto do Clube, mas sim de alguns sócios que gostavam de correr. Já se comentava sobre várias maratonas pelo Brasil e pelo mundo, mas Curitiba ainda era uma província quando o assunto era esporte amador.

Sempre gostei de correr. Naqueles anos que antecederam a realização da maratona em Curitiba, era raro encontrar pessoas correndo pelas ruas, ‘solitários e transgressores’. Não era moda ainda correr; os ‘resistentes’ faziam isso sem pensar que o esporte na rua já era um ato de resistência. Fazíamos isso por prazer. As críticas, pelo simples fato de ocupar ruas e calçadas, provinham de mentes cercadas de rótulos.

Voltando à maratona: ninguém sabia como se preparar para correr uma maratona em Curitiba. Talvez pouquíssimos treinadores de atletismo e/ou profissionais de Educação Física conhecessem o métier. Pessoalmente, não conhecia ninguém, mesmo que existissem. O máximo que já tinha corrido eram 21 km; já havia participado de algumas provas com essa distância. Participei da primeira maratona pensando em correr apenas 21 km, cujo percurso passava perto da minha casa. A chegada era no Clube. Resolvi correr mais 3 km além do programado. Aos 24 km, correndo ainda com “folga”, tomei uma das principais decisões da minha vida: terminar a prova. Éramos “atletas” sonhadores; uma decisão para poucos. Terminar uma maratona era algo impossível para muitos, e para mim também. Depois dos 34 km, o final da corrida se transformou em compartilhar com os parceiros de prova a mesma angústia; desistir do sonho ou encontrar, em algum lugar do corpo, energia para completá-lo. Isso só foi possível graças às inúmeras pessoas que assistiam à prova como a um fenômeno ‘extracorporal’; eram elas (os espectadores) que nos guiavam. Não tenho certeza, mas na largada da prova não devia haver mais que 400 “atletas”. Não preciso dizer como cheguei: muito próximo de um “homo” , menos o ‘bípede’.

Fui conhecer Pierre Bourdieu (A Distinção: Crítica Social do Julgamento) no ano em que realizei essa prova, e o autor contextualizou o que senti na maratona. Poucos anos antes, li Educação Física cuida do corpo e da…mente (João Paulo Medina), e confesso que minhas corridas, aquelas pagando inscrição, nunca mais foram as mesmas.

A Maratona do Paraná está chegando, a da inauguração da “ponte” de Guaratuba, 2026. Com apenas dois dias de inscrições abertas, as provas dos 21 km e 10 km já estão esgotadas. Espera-se mais de 10 mil pessoas, certamente a maioria preparada para o evento, que não é mais impossível; agora com treinamentos especializados, roupas e suplementos indicados, equipe de apoio e Bourdieu martelando a minha cabeça. Corro ou não corro a maratona da ‘Ponte’?”

dez 11, 2025Carlos Mosquera
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Carlos Mosquera
11 de dezembro de 2025 Esportes, Saúde
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