Machado de Assis antecipou uma discussão interminável sobre loucura e comportamento social. Foi esse autor que trouxe, pela primeira vez, para a sociedade brasileira, uma reflexão que ainda sentimos dificuldade em compreender e aceitar a questão das diferenças.
O sentimento de pertencimento escolar passa, obrigatoriamente, pelo acolhimento, pela observação dos comportamentos e pelo olhar atento sobre o ser humano. Ainda que Simão Bacamarte, o médico de O Alienista, tivesse dúvidas sobre quem seria ou não louco, isso não o impediu de adotar procedimentos radicais na Casa Verde.
Enquanto criamos, na chamada Escola Inclusiva, procedimentos “inovadores” para conviver com alunos com deficiência e problemas de aprendizagem, esquecemos (por conta da própria cultura escolar, ainda herdeira do século passado) que o mais importante, para essa cultura, são os rendimentos escolares. Não discutimos, dentro da nossa “Casa Verde”, como prevenir, por meio de projetos pedagógicos ampliados e de uma saúde escolar pública efetiva, os males que comprometem a aprendizagem. A escola não contabiliza, por exemplo, que uma gestação saudável pode (e não é uma afirmação categórica) ser um indicativo favorável para o nascimento de uma criança mais comprometida com os estudos. Assim, discutir prevenção é parte importante do currículo escolar.
Ampliando essa lógica: por que não aplicar o Teste de Snellen na escola para identificar a baixa visão dos alunos? Qualquer professor pode realizá-lo. Testes de audição, testes psicomotores (que fazem parte do conteúdo dos professores de Educação Física), observação atenta para reconhecer alunos com altas habilidades ou superdotação, que, quase sempre, passam despercebidos nas escolas. Entre tantos outros procedimentos simples e possíveis.
E é por isso que, no século XXI, ainda buscamos melhores explicações para compreender como conviver com as diferenças, sem excluir ninguém do convívio escolar, e para favorecer as oportunidades que todos merecem, do nascimento à morte.





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