Falcão, nosso ídolo do futebol brasileiro, craque dos anos 1980 e ex-técnico da seleção, um dia disse: “Todo jogador profissional de futebol morre duas vezes: a primeira quando para de jogar, a segunda quando morre mesmo”. A frase ficou famosa e ainda ecoa por aí, usada para explicar despedidas, não só no esporte, mas em qualquer projeto de vida.
Vendo alguns jogadores da Copa chorando após as partidas, a frase de Falcão ressurgiu na minha cabeça. Quem sabe o choro não é pela derrota, mas por saber que aquela Copa pode ser a última? O trunfo de representar um país e ser reconhecido por muitos pode acabar depois do apito final. Nem esperança há nessas despedidas. São como uma morte sem aviso.
Não só profissionais do esporte: amadores também choram quando param ou se machucam. É uma identidade que se perde, o reconhecimento de ser alguém que se esvai. A teoria de que o esporte é necessário por toda a vida desaba nessas despedidas. As lágrimas descem por razões íntimas também.
Em profissões comuns, isso também é verdadeiro: despedidas são sentidas como a morte de um familiar. Uma aposentadoria forçada arranca o sujeito das conexões do trabalho. Muitos velhos se negam a parar, com a desculpa de que ainda produzem. Mas será que é medo do ócio criativo? Ou medo do vazio?
A linha que separa a despedida da morte é tênue. Em qualquer momento da vida, vamos vivenciá-la. Saber se reinventar, talvez, seja a solução para muitos – o começo de uma nova vida.





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