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Mounjaro pode mudar a forma como o corpo utiliza energia, afirma estudo; entenda

Pesquisadores descobriram que o remédio ativa a chamada gordura marrom, tipo que produz calor e queima calorias

Os mecanismos por trás da perda de peso com a tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, podem ir além da redução do apetite e envolver a ativação da chamada gordura marrom. É o que aponta um novo estudo conduzido por pesquisadores do Centro Médico Universitário de Liubliana, na Eslovênia, apresentado nesta semana no congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos, em Chicago.

O tecido adiposo (gordura) do corpo é dividido principalmente em dois tipos: branco e marrom. O branco é o mais comum, se distribui por todo o corpo, armazena energia e se acumula com o excesso de calorias, levando ao ganho de peso. Já o tecido adiposo marrom tem um comportamento contrário: ele é metabolicamente ativo e serve para produzir calor. Para isso, queima calorias.

Porém, enquanto a gordura branca responde pela maior parte do tecido adiposo do corpo humano, a marrom é presente em menores quantidades, restrita a áreas próximas ao pescoço e ao peito do adulto. Nos recém-nascidos, há uma quantidade maior, que mantém o bebê aquecido, mas ela diminui durante o crescimento.

No novo estudo, os pesquisadores decidiram investigar se o uso da tirzepatida poderia exercer alguma influência sobre a atividade da gordura marrom dos pacientes. Em fevereiro deste ano, cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, publicaram na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy um estudo que destacou esse mecanismo após uma análise com camundongos.

Para avaliar isso entre humanos, os pesquisadores eslovenos conduziram um ensaio clínico randomizado com 34 mulheres com obesidade de em média 39,5 anos e um índice de massa corporal (IMC) de 36,9. Elas foram divididas aleatoriamente em dois grupos, um que recebeu o tratamento semanal com 8,8 mg do Mounjaro, e o outro que recebeu placebo.

Antes e depois do período de 24 semanas de tratamento, cerca de seis meses, os responsáveis pelo trabalho realizaram exames de imagem e ressonância magnética com estimulação de frio para avaliar a gordura marrom das participantes.

“Descobrimos que a tirzepatida aumentou significativamente a atividade e o volume do tecido adiposo marrom e também mostrou sinais potenciais de conversão da gordura branca subcutânea em gordura ‘bege’, metabolicamente mais ativa”, diz Rok Herman, médico do Departamento de Endocrinologia, Diabetes e Doenças Metabólicas do Centro Médico Universitário de Liubliana e autor do estudo, em nota.

A gordura bege é um tipo que foi descoberto mais recentemente e que atua como a gordura marrom, gerando calor e queimando calorias. Porém, ela é obtida por um processo de transformação do tecido adiposo originalmente branco. Esse mecanismo é desencadeado principalmente pela exposição a baixas temperaturas, mas acredita-se que outros estímulos, como boa alimentação e prática de exercícios físicos, também favoreçam essa mudança.

Especificamente em relação à gordura marrom, a tirzepatida aumentou a atividade de 41,2% para 64,7% das participantes no estudo, enquanto nenhuma mudança comparável foi observada no grupo que recebeu placebo. Para Herman, esses achados acrescentam “uma nova camada à forma como entendemos a nova geração de medicamentos contra a obesidade”.

“Eles não são apenas supressores do apetite. A tirzepatida também parece modular o gasto energético em nível tecidual, abrindo um caminho plausível para futuras terapias que combinem a regulação do apetite com a ativação termogênica”, diz.

A tirzepatida é parte da classe de medicamentos chamada de análogos de GLP-1, que engloba também os remédios Ozempic e Wegovy e ficou conhecida como “canetas emagrecedoras”. Os fármacos simulam a ação do hormônio GLP-1 no corpo.

No pâncreas, essa interação estimula a produção de insulina, motivo pelo qual as drogas são usadas também para diabetes tipo 2. Já no estômago, reduz a velocidade da digestão da comida e, no cérebro, ativa a sensação de saciedade, levando à perda de peso.

Em relação ao emagrecimento com o Mounjaro, por exemplo, o estudo SURMOUNT-4 mostrou que a perda de peso chega a aproximadamente 25,3% após 88 semanas, cerca de 1 ano e 8 meses, de tratamento.

Fonte: O Globo (16/6/26)

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Carlos Mosquera
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