Psicólogos, neurocientistas, filósofos e eu passamos grande parte da vida fazendo perguntas, e muitas delas se referem a como processamos a visão no cérebro. Muitas teorias já foram descartadas, e o que sabemos efetivamente é que nem tudo o que vemos se torna consciente. Grande parte das imagens que captamos não chega a ser processada. Revendo esses conceitos, encontrei nas minhas anotações a tese doutoral de Magda Bellini: A comunicação do corpo a partir da não visualidade: um estudo teórico prático (não cito aqui as referências que a pesquisadora menciona na tese).
(…) – Cada olho tem 100 milhões de células sensíveis à luz, mas apenas 1 milhão de fibras que levam ao cérebro. Cada imagem precisa, portanto, ser reduzida em complexidade a um fator de 100. Isso significa que a informação em cada fibra constitui uma CATEGORIZAÇÃO da informação em torno de 100 células.
Categorização neurais desse tipo existem por todo o cérebro, até os níveis mais altos de categorias das quais podemos ter consciência. EX: quando vemos árvores, nós as vemos como árvores, e não apenas como entidades individuais distintas umas das outras. Uma pequena porcentagem de nossa categorização forma-se por ato consciente, mas a maioria se forma AUTOMATICAMENTE de forma INSCONSCIENTE como resultado de nosso funcionamento no mundo (…).
Como aprendemos a enxergar por estímulos do meio ambiente, de uma forma muito natural, fomos impedidos de aprender a enxergar o ‘fora da categorização’. Assim, com poucas exceções, artistas, em geral, conseguem abandonar o olhar funcional e permitir o partejar de ‘olhos vagabundos’ (Rubem Alves)
Sobre esse assunto, o filme Janela da Alma mostra como é possível ‘ver’ o mundo com outros ‘olhos’.





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