Desde meus tempos como fisioterapeuta, até os dias de hoje, sempre achei que a cura — seja de uma simples lesão muscular ou de doenças mais agressivas — vai além da medicação e da reabilitação tradicionais. Nunca me convenci de que ‘curar’ o corpo fosse algo tão localizado. O processo é mais amplo, embora eu ainda não conheça a resposta definitiva. Na busca por ela, tenho feito muitas experiências práticas para evitar a doença e lido autores que comunguem com o meu propósito.
O livro de Michael Pollan, “Como Mudar Sua Mente: O que a Nova Ciência das Substâncias Psicodélicas Pode nos Ensinar sobre Consciência, Morte, Vícios, Depressão e Transcência”, foi uma experiência incrível. Primeiro, pela teoria do autor; segundo, pelo caminho que me apresentou.
Comentei, meses atrás, neste espaço, sobre minha primeira experiência com ayahuasca, na região metropolitana de Curitiba. A única coisa que sabia eram os relatos dos praticantes e como a substância psicodélica era preparada. O restante foi descoberta de iniciante. Além do livro de Pollan, aproveitei o novo momento da medicina psicodélica.
Embora a primeira experiência com a ayahuasca tenha sido devastadora para mim — não senti enjoo, mas figuras e personagens bizarros ao meu lado me assustaram muito —, desde então, conversando com mais pessoas que usam psicodélicos frequentemente e com as leituras sobre o tema, passei a ter um respeito enorme pelos resultados dessas práticas. Principalmente por me permitir buscar, como sempre fiz, a libertação de padrões arraigados, habituais e limitadores.
Essas substâncias não se reduzem à ayahuasca; existem muitas por aí: cogumelos, peiote, LSD e MDMA (ecstasy ou bala). Essas manifestações mentais precisam ser mais bem estudadas e divulgadas, fugindo do estereótipo de drogas de transgressores. Quem sabe possamos, um dia, manter a mente mais livre das amarras que nosso ego já cristalizou.
No próximo mês, relatarei neste espaço minha segunda experiência com a ayahuasca, se minha mente permitir.





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