Pensei em intitular esta postagem “Mediadores 2”, ampliando a discussão da anterior, mas resolvi ser objetivo, mesmo que o livro Longe da Árvore, de Andrew Solomon, nos empurre a perceber como estamos “longe dos pais”. Dificilmente isso será percebido e entendido, pois nossa cultura não permite uma reflexão muito distante da “árvore”.
Já usei esse título em outros comentários. Espero, agora, mostrar como fluímos para “longe da cultura” ou, ainda, longe dos “mediadores”. Solomon, repórter do New York Times, foi designado em 1993 para investigar a cultura surda. Como todos nós que não a conhecemos, ele achava que se tratava de um déficit, e nada mais. Após alguns meses imerso nessa cultura, o jornalista já estava “arrastado” (como ele mesmo escreve) pelo mundo surdo. Andrew descobriu que a maioria das crianças surdas nasce de pais ouvintes, os quais frequentemente priorizam o funcionamento no mundo da audição, gastando uma energia enorme na fala oral e na leitura labial. Ao fazerem isso, como escreve o jornalista, “podem negligenciar outras áreas da educação de seus filhos”.
Sem mudar de assunto, o psicanalista D.W. Winnicott disse certa vez: “Não existe bebê” — no sentido de que quem se propõe a descrever um bebê vai descobrir que está descrevendo um bebê e alguém mais. Um bebê não pode existir sozinho, mas é essencialmente parte de uma relação”. Winnicott continua: “Na medida em que nossos filhos se parecem conosco, eles são nossos admiradores mais preciosos, e, na medida em que são diferentes, podem ser os nossos detratores mais veementes”.
Refletindo sobre todo o conteúdo do livro, entendemos que a cultura dos “diferentes” também é uma imposição da sociedade, que usa a separação e a discriminação para melhor controle e poder. Independentemente da diferença, quase sempre isso os une. “Embora cada uma dessas experiências possa isolar aqueles que são afetados, juntos eles compõem um agregado de milhões cujas lutas os conectam de maneira profunda. O excepcional é ubíquo; ser inteiramente típico é o estado raro e solitário”.
Quem sabe aí está a origem da nossa solidão e sofrimento.





Deixe um comentário