Li um artigo da FAPESP sobre um protocolo de atividades sensório-motoras para melhorar a leitura de crianças com dislexia (link), um estudo muito importante para quem sofre desse distúrbio.
Há tempos sabemos da importância das aulas de Educação Física nas escolas, que, infelizmente, estão sendo cada vez mais negligenciadas. Fico indignado com a falta de compreensão das políticas públicas nessa área, assim como com a inércia de muitas escolas (e até de professores) que não incentivam o desenvolvimento psicomotor dos alunos.
Os efeitos da internet e das redes sociais já são conhecidos. Se a escola não oferece aulas de Educação Física e a família não promove atividades motoras, o que resta? Só para citar alguns exemplos – que ainda exigem mais estudos, mas estão indiretamente ligados à hipocinesia (sedentarismo) infantil –, temos: dislexia, TDAH, autismo, distúrbios de aprendizagem, obesidade, miopia, problemas de coordenação e equilíbrio, entre outros.
O resultado desse descaso é a alta demanda por redes de apoio e reabilitação. Crianças frequentam a escola sem prazer, repetindo um ciclo que também vemos na saúde: não priorizamos a prevenção, apenas corremos para remediar.
Voltando ao artigo mencionado, os pesquisadores sugerem que a dislexia pode estar relacionada ao cerebelo, região do cérebro responsável pelo equilíbrio e coordenação. Assim, atividades sensório-motoras que trabalham ritmo, movimentos oculares e consciência corporal podem, de certa forma, melhorar distúrbios de leitura, que exigem justamente essas habilidades.
Não há alternativa para as escolas se os envolvidos no processo educacional – professores e alunos – não tiverem acesso a disciplinas que valorizem o corpo e o movimento. O resto é negligência pura.





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