Durante minhas braçadas de hoje de manhã, fiquei pensando no livro que ainda não li — e que não será lançado tão cedo. Se o livro Nascido para correr fez estrondoso sucesso em todo o mundo, por que não Nascido para nadar? Seria uma maravilhosa contribuição.
E as contribuições da literatura sobre natação começaram muito cedo. Vejamos: “O Nadador ou um Diálogo sobre a Arte de Nadar” (Der Schwimmer oder ein Zwiegespräch über die Schwimmkunst), escrito pelo professor alemão de línguas Nikolaus Wynmann e publicado em 1538 (conforme a internet). O autor era um acadêmico e o livro foi escrito em formato de diálogo. Certamente, a proposta foi esclarecer ao leitor a importância física e preventiva (contra afogamentos) de se aprender a nadar.
Recentemente, descubro na internet que o livro do viajante e colecionador Melchisédech Thévenot, “L’art de nager” (A Arte de Nadar), de 1696, fez muito sucesso pelo mundo porque o autor usou pranchas gravadas para ilustrar como os nados deveriam ser realizados. Foi referência no século XVIII.
Já escrevi em um dos meus livros que a arte rupestre também poderia ter sido representada por pessoas com deficiência que habitavam as cavernas. Os impedimentos dessas pessoas seriam a razão das pinturas — nunca fui acreditado por ninguém. E com a natação, a arte rupestre não desmente: há indícios de que os homens primitivos também nadavam. A natação é parte do processo civilizatório.
Histórias amorosas não poderiam faltar neste reduto aquático. Abro aspas:
“Leandro era um jovem da cidade de Abidos, localizada na margem asiática do estreito. Ele se apaixonou por Hero, uma sacerdotisa de Afrodite que vivia em uma torre na cidade de Sesto, na margem europeia oposta. Impedidos de ficar juntos abertamente, eles combinavam encontros noturnos: todas as noites, Leandro nadava através do perigoso estreito, guiado por uma tocha ou lamparina que Hero acendia no topo de sua torre. O fim trágico veio em uma noite de tempestade, quando o vento apagou a luz que guiava Leandro. Perdido e sem forças no mar revolto, ele se afogou. Na manhã seguinte, Hero encontrou o corpo do amado na praia e, desesperada, atirou-se do alto da torre para se juntar a ele na morte.”
Fecho aspas.





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