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Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ)

Fui fisgado várias vezes, na semana passada, pelos títulos dos jornais sobre a doença do influenciador Lito Souza. Imagino que não só eu – como você, agora, que lê esta postagem – tenha buscado mais informações sobre essa doença rara.

Não sei exatamente o que atrai os leitores quando o assunto é doença. Se é a doença em si, a pena do paciente ou a comoção pela pessoa acometida. Não importa muito; o que é chamativo é o número elevado de pessoas que correm atrás de mais informações sobre o caso. Nelson Rodrigues, se estivesse vivo, diria que o medo é a causa da procura por mais informações. Talvez Nelson soubesse que, em geral, as doenças raras são fatais. Estima-se que haja 13 milhões de pessoas com doenças raras no Brasil. Mas tenho certeza de que ele (Nelson) não sabia que, depois do diagnóstico da DCJ, o paciente não vive mais do que um ano. O desespero é nosso também; mesmo sendo uma doença rara, qualquer um de nós pode ser acometido por essas enfermidades. O medo explica a razão da nossa curiosidade e do nosso desespero.

No caso da doença rara de Lito Souza, que afeta o cérebro, comprometendo a perda progressiva de movimentos e o aparecimento de uma demência, trata-se de um quadro clínico que não deixa rastros de esperança de cura, muito menos de sobrevida. Apesar de a ciência ainda não conhecer o tratamento para essa doença, sabe-se que o causador é o acúmulo anormal de uma proteína chamada príon no cérebro. Não é a única doença priônica, mas é um modelo parecido com as demais. A proteína priônica muda sua configuração e, a partir daí, alastra o erro para outras proteínas, provocando a morte celular no tecido cerebral.

Afinal, quem não teria medo de ser consumido por uma doença dessas, numa idade em que as pessoas acometidas ainda estavam fazendo planos para o futuro?

Se o medo é paralisante, o futuro distante e o presente renegado, sobra muito pouco. Quem sabe, se pudéssemos ser mais realistas, acolhedores e humanos, nossos medos seriam mais discretos.

ago 24, 2026Carlos Mosquera
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Carlos Mosquera
24 de agosto de 2026 Saúde
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