A médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes – o título da postagem é o título de um de seus livros – talvez não esperasse tanto sucesso com seus livros como acontece hoje. Também não sei o motivo, mas desconfio que a temática sempre foi um tabu em nossa sociedade: a morte. Não sei por que um tema como este ficou tanto tempo no armário.
Minha perplexidade, quando abordo esse assunto, passa pela dicotomia com que as pessoas entendem a morte: como sendo o término da vida. E não, a vida! Quem sabe uma das origens desse estranhamento esteja no fato de acreditarmos que a morte nos ronda e que nada pode fugir da crença de que as surpresas afetam nossas estruturas judaico-cristãs.
Entretanto, se concebemos a vida como algo que finda – e que, por isso mesmo, tudo pode acontecer –, quem sabe nossa compreensão da vida não evite tanto sofrimento quando alguém muito próximo parte antes do esperado.
Escutemos Ana Claudia.
(…)”Dezoito anos é suficiente para a gente aprender alguma coisa com um professor particular? Digo isso porque, pelo que você me conta, você teve um professor particular de felicidade, de alegria e de bondade. E aí você esquecer tudo depois de um acidente de carro?
A senhora ,e olhava, érplexa. Nunca tinha pensado daquela maneira, admitiu. Pois deveria, argumentei.
Você passou dezoito anos ao lado de uma pessoa que, a cada dia, desde bebê, fez questão de explicar a você o que é felicidade. Eu sabia que a senhora era espírita. Então emendei: Fico imaginando esse moço lá do outro lado, coçando a cabeça e se perguntando que parte ele não explicou bem.
Não temos o direito de enterrar a história de amor que vivemos com a pessoa que amamos tanto e que morreu. É terrível escolher carregar as cruzes de uma ausência, sacrificando todo o tempo de presença que foi compartilhado, às vezes durante uma vida inteira”.





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