Jorge Luis Borges nasceu com uma condição genética que afetava sua visão. Cresceu e analisou o mundo com baixa visão, referindo-se a ela como “um lento crepúsculo”. Aos 55 anos, perdeu completamente a visão. Tornou-se um escritor cego que descreveu a cegueira — como em Siete Noches — não como uma limitação, mas como um novo modo de percepção e criação. Considerado um gênio literário, muitas vezes associou-se sua cegueira à sua inspiração, ideia que o próprio Borges confirmou em entrevistas. Assim, o que poderia ser visto como desvantagem transformou-se, em sua experiência, em estímulo à literatura.
Debora Diniz, na introdução de O que é deficiência (Editora Brasiliense), destaca quanto Borges contribuiu para um novo “olhar” social. Para ele, “a cegueira deve ser vista como um modo de vida: é um dos estilos de vida dos homens”.
Embora essa concepção de ser diferente, de habitar o mundo de outra forma, seja muito antiga, na prática ainda encontramos uma sociedade preconceituosa, violenta e normativa, que continua a oprimir pessoas cujos corpos divergem do padrão estabelecido.
Até quando?





Deixe um comentário