Felizmente ou infelizmente, acompanho os primeiros meses de vida da minha neta à distância. Ela mora com os pais fora do Brasil e, por isso, a tecnologia nos aproxima, e muito. Não tenho como comparar com a criação dos meus filhos, mas o desejo dela, ainda tão pequena, de me procurar pela “telinha” é impressionante. Como gosta! É a única forma de eu estar mais presente.
Nesses meses, percebo como o apego da família presente é essencial para um bebê tão indefeso. Quem sabe, seja mais importante até do que a alimentação. A dependência dos bebês em relação aos pais e cuidadores é crucial, diferente da de qualquer outro mamífero. Esse afeto e apego fortalecem o que os estudiosos chamam de autenticidade. Crianças seguras de si são crianças amadas e criadas com suporte emocional. Elas demonstram, desde muito cedo, fidelidade aos seus propósitos. Bem diferente do que a sociedade pós-moderna costuma considerar como “ser fiel”.
O apego é a conexão com aquilo que sentimos, em que acreditamos e que vivenciamos. Coisa rara nos dias de hoje. As contradições culturais que comprometem a “educação do afeto” podem, de fato, prejudicar jovens e crianças nesta sociedade do desempenho (como bem analisa Byung-Chul Han). Se antes vivíamos na “sociedade do controle”, hoje simplesmente descartamos e esquecemos nossos afetos para performar. Infelizmente!
De toda forma, se insistimos com as crianças — mesmo à distância — sobre a importância do “tamo junto”, com os adultos não pode ser diferente. O afeto, de fato, afeta o coração (me esforcei!). Ele nos fortalece.
Comecemos com um “bom dia” e um “boa noite”.





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