O que mais ouço nos últimos meses é “o mundo está doente” ou “o mundo está louco”. Fico imaginando o que escrevem nas redes sociais. O que está comprovado é que o número de suicídios aumenta, assim como as doenças autoimunes.
No último livro de Gabor Maté, encontro uma explicação para isso, do pesquisador Steven Cole: “Hoje sabemos que a doença é um processo de longo prazo, é um processo fisiológico que ocorre dentro do corpo, e o modo como vivemos influencia quão rápido isso vai nos alcançar num nível clínico”. Cole enfatiza a importância do ambiente para o estado de bem-estar da população, deixando em segundo plano a genética. Será? Evidências apoiam o pesquisador, quando ele aponta o que esquecemos de questionar: “ninguém de repente ‘pega’ uma doença autoimune nem um câncer, embora essas doenças possam se manifestar de modo súbito e com um impacto brutal”. Aproveito para replicar o que dizia Hemingway: “O homem se arruína primeiro aos poucos, depois de repente”.
É isso. Algumas teorias já anunciavam que, ao nascer, alguns bebês já carregam o potencial para células malignas. O que leva ao diagnóstico é o desenrolar desse processo ao longo da vida. Se o mundo realmente está ficando louco, como dizem, é plausível supor que haja um aumento na liberação de proteínas inflamatórias na corrente sanguínea. Estas são capazes de danificar o DNA, consequentemente, impedindo-o de se autorreparar diante de transformações malignas. Para não me estender, essas proteínas, chamadas citoquinas, também podem inativar genes que normalmente impediriam o crescimento de um tumor.
Compreender a importância do ‘processo’, e saber o que podemos prevenir ou o que nosso organismo precisa para não adoecer, deve ser o melhor preventivo, antes que os ‘outros’ nos deixem loucos.





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