Se, na postagem sobre a bengala, a ressignificação torna um objeto neutro, é possível entender que os artefatos medeiam nossa relação com o mundo — é o que o filósofo Don Ihde defende em sua fenomenologia da técnica.
E se transportarmos essa ideia para a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais)? Se a bengala é extensão do corpo e da alma, comunicar-se em LIBRAS é entregar-se de corpo e alma.
Em tempos em que o olhar e a linguagem já não importam mais para a comunicação (substituídos por telas), a LIBRAS resiste como nossa sobrevivente e vivente — uma língua que exige presença. Por ser ainda restrita aos surdos e próximos, por que deixamos que a rigidez das convenções sociais impeça seu aprendizado?
Se as escolas tradicionais exigiam apenas o inglês, o que impede as escolas atuais de ensinarem LIBRAS? Se a justificativa for “nunca vão usar”, então que se cortem química, física e matemática — disciplinas “duras” que também não são usadas no dia a dia da maioria. O critério de utilidade é arbitrário; basta mudar o escopo.
LIBRAS é o corpo racional e irracional falando. É a expressão do desejo de estar ao lado de alguém, de pertencer a uma tribo, de ser sensível como quem contempla uma obra de arte.
Então, por que não começar com um simples “Oi”?






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