Alguns olhares não invadem.
Chegam devagar,
pedem licença para entrar,
e vão tateando no escuro
até encontrarem a fechadura.
Quando entram,
permanecem.
Sem pressa,
demoram-se
justamente onde escondemos
as rachaduras,
os medos,
as partes que aprendemos
a ocultar do mundo.
Sem dizer palavra alguma,
mostram
que há belezas
que só se revelam
nas profundezas.
E, sem perceber,
descobrimos
que a direção
sempre esteve no olhar
que soube nos encontrar.
Bruna Rissato





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