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Os livros que não esquecemos

Antes dos artigos científicos, peço para meus alunos da pós-graduação um ‘momento de silêncio’: a leitura de alguns livros. Quem não pode comprar, eu empresto os meus — nem sempre voltam. Lembrei deste assunto porque estava mexendo em alguns livros em casa e encontrei A queda: As memórias de um pai em 424 passos, de Diogo Mainardi. Editora Record (2012).

“Tito tem uma paralisia cerebral.” Assim começa a narrativa de um pai em companhia de seu filho. Acho até que estes ‘pais/escritores’ precisam da literatura para desabafar o quanto criar um filho com deficiência é esmagador, difícil e humanizador. “A paralisia cerebral de Tito tem o efeito de desencadear um movimento que conduz o leitor à Veneza renascentista.” As quedas de Tito são inspiradoras para o pai/escritor e fontes de aprendizagem para os leitores.

O filho eterno, de Cristóvão Tezza, escrito em 2007, é outra ‘tese doutoral’. Se alguém precisa conhecer a área de humanas, a leitura é obrigatória, antes de qualquer artigo científico. Lembro como fiquei impressionado com a coragem do autor em expor o sentimento da convivência ‘eterna’ com tudo que envolve a criação e a educação de filhos, e os projetos pessoais e profissionais. Não só o aprendizado sobre a trissomia do 21, mas a narrativa que transcende o roteiro ideal de um escritor, a emoção de um pai em expor seus limites e suas idiossincrasias. A convivência pacífica e atormentada que o escritor narra — já que o livro não é uma biografia — aproxima o leitor por parecer que a história é parte das nossas vidas.

abr 16, 2026Carlos Mosquera
Pesquisas buscam ampliar acesso de pessoas com deficiência a esportes paralímpicos e espaços culturaisPoeminha de domingo

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Carlos Mosquera
16 de abril de 2026 Livros
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