Antes da leitura da matéria, gostaria de comentar sobre as pesquisas sobre esta temática.
Há séculos que sabemos sobre os benefícios da música e do som no cérebro. Como comenta Levitin, a música é processada de modo multimodal, ou seja, envolve muitas áreas cerebrais. Apesar de todos esses achados, ainda carecemos de pesquisas conclusivas. Não se sabe como ‘tudo isso’ acontece. Pesquisas, inclusive nacionais, apresentam evidências mas deixam lacunas que não se sustentam nas replicações de outras tentativas. Isso não desmerece o uso da música em tratamentos do cérebro. A neurociência é parceira da musicoterapia. Não vejo, atualmente, nada mais importante para o cérebro, quando o assunto é tratamento para Alzheimer, Parkinson e Acidente Vascular Cerebral(AVC).
Por: Giulia Peruzzo
- No livro ‘A Cura Pela Música’, Daniel J. Levitin revela como sons organizam atenção e resgatam memórias
- Autor parte de estudos científicos e casos reais para exemplificar como a música
(…) Você já esqueceu a letra de uma música, mas sabia cantarolar a melodia de cor? Acha que se concentra melhor em atividades intelectuais e até que performa melhor em atividades físicas se coloca seu artista favorito para tocar ao fundo? Ou ainda que a música que você escolhe para ouvir de manhã pode ditar como se sente no resto do dia? Para Daniel J. Levitin, tudo isso pode ser explicado pela neurociência.
O autor de “A Cura Pela Música”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, utiliza evidências científicas para detalhar como o cérebro processa a música de forma multimodal, ou seja, envolvendo diferentes regiões cerebrais.
Quando aperta o play no celular ou na caixa de som, ou encosta a agulha no disco de vinil, o som “viaja” do ouvido até o córtex auditivo, mas também ativa circuitos relacionados ao movimento (cerebelo e córtex motor), às emoções (sistema límbico e amígdala), à memória (hipocampo) e à recompensa (núcleo acumbente).
Você já esqueceu a letra de uma música, mas sabia cantarolar a melodia de cor? Acha que se concentra melhor em atividades intelectuais e até que performa melhor em atividades físicas se coloca seu artista favorito para tocar ao fundo? Ou ainda que a música que você escolhe para ouvir de manhã pode ditar como se sente no resto do dia? Para Daniel J. Levitin, tudo isso pode ser explicado pela neurociência.
O autor de “A Cura Pela Música”, lançado no Brasil pela editora Objetiva, utiliza evidências científicas para detalhar como o cérebro processa a música de forma multimodal, ou seja, envolvendo diferentes regiões cerebrais.
Quando aperta o play no celular ou na caixa de som, ou encosta a agulha no disco de vinil, o som “viaja” do ouvido até o córtex auditivo, mas também ativa circuitos relacionados ao movimento (cerebelo e córtex motor), às emoções (sistema límbico e amígdala), à memória (hipocampo) e à recompensa (núcleo acumbente).
Levitin explica esse fenômeno pela redundância biológica e pela forma como a música afeta diferentes tipos de memória no cérebro, e as memórias musicais estão entre as mais robustas do ser humano, sobrevivendo até mesmo quando o cérebro está devastado pelo Alzheimer.
Isso acontece porque os componentes de ritmo, melodia e rima atuam como dispositivos mnemônicos que se reforçam mutuamente. Se a pessoa esquece uma palavra, a estrutura do ritmo ou da melodia ajuda o cérebro a preencher a lacuna e recuperar a informação.
É esse mesmo mecanismo que faz com que a música também seja uma aliada para o tratamento de outras doenças, como o Parkinson ou a recuperação de um AVC (acidente vascular cerebral). E um dos principais fatores envolvidos nessa possibilidade é que a música estimula a neuroplasticidade, que permite que o cérebro modifique sua estrutura e função em resposta à aprendizagem, à experiência e às mudanças ambientais.
Como a música pode ajudar na saúde mental
Não apenas como uma forma de melhorar superficialmente o humor, o livro afirma que a música é uma ferramenta capaz de ajudar pessoas com transtornos psiquiátricos graves, como a esquizofrenia, a organizar pensamentos e regular emoções. Quando atinge o cérebro, ela pode modular neurotransmissores essenciais, como a dopamina —responsável pelo prazer—, a serotonina —pelo humor e bem-estar— e a ocitocina —pelo vínculo social.
A musicoterapia como prática terapêutica ajuda a melhorar o estado de ânimo e a reduzir a intensidade das alucinações auditivas e pode beneficiar outros transtornos psiquiátricos, como a TEPT (transtorno de estresse pós-traumático).
As evidências, no entanto, ainda são preliminares em larga escala. A música pode também ser um gatilho negativo para quem tem TEPT, trazendo à tona estados de hipervigilância e pânico em veteranos ou vítimas de trauma. Além disso, a musicoterapia é diferente de apenas ouvir música casualmente e demanda profissionais qualificados para tal.
A música como um analgésico
Esse mesmo alcance sobre o sistema nervoso explica por que a música também pode funcionar na sensação analgésica. Estudos clínicos citados no livro mostram que ouvir música pode reduzir a quantidade de anestesia em cirurgias e ajudar na dor também do pós-operatório. A música atua no cíngulo anterior como o “interruptor da atenção”, que ela consegue desativar.
Outro argumento é que o cérebro libera seus próprios opioides quando ouve música. A ressalva é que os sons não substituem os fármacos, mas podem ajudar na redução da dosagem.
A chave, para Levitin, é a intencionalidade. Ele acredita que uma das descobertas mais robustas da neurociência musical é que as músicas selecionadas pelo próprio paciente são mais eficazes para o relaxamento e o alívio da dor do que se outras pessoas escolherem.
A música indesejada, principalmente em espaços públicos, pode causar o efeito contrário, já que pode ser classificada como poluição sonora e ativar o centro do medo na amígdala quando imposta ao indivíduo.
Como a eficácia depende do controle da escolha, Levitin recomenda que seleções musicais —as famosas playlists— sejam criadas de acordo com o contexto e a necessidade específica daquele momento. E, com a chegada da IA (inteligência artificial), ele acredita que essa experiência possa ficar cada vez mais automatizada e personalizada.
A Cura Pela Música: o poder terapêutico dos sons para cuidar do corpo e da mente
- Preço R$ 99,90 (408 págs.); R$ 39,90 (ebook)
- Autoria Daniel J. Levitin
- Editora Objetiva
- Tradução Renato Marques
Por: Giulia Peruzzo (FSP 12/04/26)





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