“O fato de milhões de pessoas compartilharem os mesmos vícios não faz desses vícios virtudes, assim como o fato de compartilharem tantos erros não faz desses erros verdades; e o fato de milhões de pessoas compartilharem as mesmas formas de patologia mental não torna essas pessoas sãs”.
- Erich Fromm, The Sane Society
Comecemos pela saúde: pesar a comida na balança antes de cada refeição; corte radical de vários grupos da pirâmide alimentar; uso contínuo de fones de ouvido; consumo de suplementos até para ficar mais inteligente; aulas de yoga, Pilates; testes genéticos e o que mais a internet ditar. E ainda há o uso indiscriminado das redes sociais.
Em várias conversas com desconhecidos, quando o assunto é Instagram e respondo que não tenho, pela expressão das pessoas, fico achando que estou muito velho ou alheio à modernidade. O mesmo ocorre quando me perguntam se assisti àquela série da Netflix, aquela que todo o país parece ter assistido e eu não. Prefiro pensar que a saúde e o bem-estar se tornaram uma fixação moderna. Se as redes sociais gastam bilhões para entreter seu público, com a Netflix não seria diferente.
Envoltos nessa “modernidade saudável”, como interpretar o aumento de doenças mentais, físicas e autoimunes? Não se sabe exatamente o que está provocando essa epidemia, pois as possibilidades são muitas. No entanto, o que chamamos de “normal” claramente não está cuidando de ninguém.
Gabor Maté classificou essa profusão de males de que sofremos como “pontos cegos ideológicos”. Segundo o médico e escritor, são eles que nos impedem de ver a situação com clareza e de tomar providências mais eficazes.
Como não temos respostas para as consequências do nosso modo de viver, permanecemos congelados, “ignorantes em relação às conexões entre nossa saúde e nossa vida socioemocional”.





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