Na arrumação e na doação de livros das minhas estantes, encontro Respiração Oriental. Técnica e Terapia, de Takashi Nakamura. Esse livro me marcou muito, não só pelo conteúdo, mas pela pessoa que me presenteou. Nos anos oitenta, ao terminar o curso de Fisioterapia, resolvi me envolver com a acupuntura, uma terapia oriental que me aproximava dos tempos do judô.
Eu era um recém-graduado em Educação Física e acadêmico de Fisioterapia, descobrindo novos caminhos para a reabilitação, já que a medicina ocidental não atendia às minhas necessidades. E essa terrível curiosidade em conhecer o corpo humano e suas possibilidades de recuperação fez com que meu professor chinês, que mal compreendia o português, ficasse arrependido de me ter aceitado como aluno. Comecei a aprender acupuntura quando não existiam professores brasileiros, nem cursos regulamentados. Os cursos eram ministrados como os antigos mestres aprendiam – transmitidos de geração em geração.
Ao final de um ano de curso, o mestre me chamou e me entregou o livro, aquele que comentei há pouco, e disse: ‘Leia e aprenda sobre métodos de respiração; quando fizer isso, não vai precisar fazer mais perguntas’ — e deu um sorriso. Foi o suficiente para eu ganhar mais um amigo, mesmo correndo o risco de ser expulso do curso.
Os orientais tinham uma visão panteísta da natureza, na qual a divindade, os seres humanos e a natureza se integravam internamente, e isso me encantava. Com a leitura do livro, aprendi o que não havia entendido com a prática do judô: o tal do Ki, que nós, ocidentais, decidimos que é apenas energia. Não só isso: é o elemento que constitui a natureza e a divindade que compreende o céu. Esse ki é uma substância gasosa composta de todas as coisas, inclusive o céu e a terra, isto é, ‘o termo indica um corpo gasoso generalizado. É preciso observar que esse princípio pode ser visto expresso no Nihon Shoki‘.
Os seres humanos absorvem o Ki do céu e da terra através da respiração. Como os orientais dizem, respirar é nutrir o corpo e a mente. Em alguns casos, o Ki significa a própria respiração.
Para terminar por aqui, na próxima postagem, complemento o tema: Assim, o Ki é, por assim dizer, a própria energia da força vital.”





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