“Por trás de uma doutrina de ordem social ou mudança social há sempre alguma concepção da natureza humana, seja implícita ou explícita”. Essa frase é de Noam Chomsky, certamente em algum comentário sobre a natureza humana. E é essa natureza que nos torna como somos, ou também, como queremos ser.
Se a revolução científica ajudou a mudar o comportamento social, também colaborou com as nossas posturas passivas, como impôs a Racionalidade Médica Científica (RMC). Agora, somos “pacientes”. Sim, a ciência, de forma organizada, impôs uma forma de pensamento e poder que domina o imaginário social e, consequentemente, as instituições de saúde. Surgem, a partir dessa “nova” cultura, os “mediadores”: os médicos, que detêm o poder e oprimem o “paciente”.
A teoria aqui refletida é intensamente debatida em vários setores da sociedade, ainda que de forma incipiente nos currículos de Medicina e das áreas da saúde, mas frequentemente esquecida por nossa cultura, fragilizada pelas urgências e adversidades da vida. O esforço precisa ser replicado para não esquecermos que precisamos ser atores das nossas decisões, sejam elas sobre saúde, profissão ou qualquer outra esfera.
Trazendo essa reflexão para o cotidiano, escuto dia sim, dia não, conhecidos relatando que o “médico mandou entrar em uma academia” ou que “o médico pediu para perder peso e mudar a alimentação”. Os discursos se repetem. É a cultura dos “mediadores” que salvam nossas vidas, como se precisássemos da autoridade da ciência para não morrermos prostrados, e não da nossa própria capacidade de agir sobre nossa existência.





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