Sempre me perguntam — já que trabalho com deficientes visuais e, por curiosidade — se é difícil ser cego. Inevitavelmente, a resposta é sempre a mesma: depende da perspectiva. Se a vida já é desafiadora para muitos que enxergam, a proporção de dificuldades pode ser semelhante para quem não vê. Afinal, todos somos humanos e vivemos no mesmo planeta. Como exercício filosófico e humano, reflito: e como deve ser para pessoas surdocegas? Será que é difícil?
A principal causa da surdocegueira é a Síndrome de Usher (SU), uma doença genética que provoca surdez congênita e perda progressiva da visão ao longo dos anos. A surdez resulta do desenvolvimento anormal das células auditivas, enquanto a cegueira é causada pela retinose pigmentar, uma degeneração da retina.
Estima-se que 3 a 4% da população global tenha surdocegueira — uma deficiência atendida em centros especializados, hoje com mais profissionais capacitados para reabilitação. Mas por que não perguntar diretamente a quem vive essa realidade? Temos medo? Receio? Uma pessoa cega ouve, o que facilita a comunicação; uma pessoa surda se comunica em Libras (Língua Brasileira de Sinais). Se não dominamos Libras, precisamos reconhecer essa barreira. Por que não aprendê-la? E como comunicar-se com alguém surdocego? Sim, elas também se comunicam, e um dia você pode precisar interagir com elas. Que tal começar a aprender?
Sugiro assistir ao filme ‘O Milagre de Anne Sullivan’, que retrata a história de Helen Keller, uma jovem surdocega. É o primeiro passo para uma sociedade mais inclusiva, democrática e plural.





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