
O assunto já tomou conta de todas as esferas da sociedade: da mídia às redes sociais, das famílias aos debates acadêmicos. O que antes era considerado sagrado, depois necessário, hoje se tornou polêmico. Elas realmente não querem mais sexo, ou apenas selecionam melhor? Ou será que tudo não passa de uma discussão vazia, apenas para ocupar espaço? Seja como for, o tema mexe profundamente com as relações de gênero.
Historicamente, as mulheres foram vistas como gatekeepers do sexo — aquelas que controlam o acesso —, enquanto os homens eram retratados como sempre disponíveis. Isso criou a expectativa de que o desejo masculino é constante, enquanto o feminino seria mais “seletivo”.
Por outro lado, as mulheres que assumem múltiplas jornadas no dia a dia enfrentam desafios enormes. Além de cuidar dos filhos, manter a forma física, ser presente entre amigos, estar sempre bonita, sensual e divertida, ainda precisam dominar as redes sociais — Instagram, TikTok, Facebook — para não se sentirem deslocadas. Como afirma a antropóloga Mirian Goldenberg, a cobrança social exige que elas assistam aos filmes e peças recomendados, leiam os livros que todo mundo está lendo e, ainda assim, mantenham uma imagem impecável. O resultado? Estresse, insônia, depressão e esgotamento.
E surge um fenômeno — não tão novo, mas cada vez mais evidente —: o sexo deixou de ser prioridade. Muitas mulheres alegam falta de tempo, energia e disposição. Uma realidade que muitos homens confirmam em relatos.
Dizem que, para os homens, o sexo é mais simples, independente do estado de espírito. Já para as mulheres, é preciso “clima” para que um encontro íntimo aconteça. E como não há tempo nem disposição, o sexo acaba ficando em segundo plano. Para muitas, ele deixou de ser prazer e virou mais uma obrigação — algo que rouba minutos preciosos do tão desejado descanso.
Essa correria desenfreada e o consequente desinteresse sexual podem ser um sinal de que algo precisa mudar, especialmente nos hábitos e expectativas que recaem sobre as mulheres. Algumas pesquisas indicam que elas se sentem fracassadas por não corresponderem ao ideal de “mulher sempre disponível”. Além disso, com a maior discussão sobre consentimento e assédio, muitas passaram a dizer “não” com mais firmeza — o que, para alguns homens, soa como “perda de interesse”.
Mudar esse cenário não é fácil, mas abrir mão do sexo também não parece a solução mais saudável. Encontrar tempo para a intimidade, para reconectar-se com o parceiro, pode ser tão ou mais importante do que outros compromissos tidos como “urgentes”.
Vale lembrar que os homens também podem perder o interesse sexual, afinal, a cultura afeta a todos dentro dessa estrutura. A questão, portanto, não é sobre gênero, mas sobre como reorganizar prioridades em meio a uma sociedade que exige demais e oferece pouco em troca.
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