
‘A Jornada de um neurocientista que desafia nossa visão sobre as drogas’, esse é o subtítulo do livro de Carl Hart (editora, Zahar). O livro ‘Um preço muito alto’ ficou na estante por alguns anos, não sei exatamente o porquê na demora para a leitura, mas resgatei-o (comecei tempos atrás mas não terminei) quando os burburinhos no STF ameaçavam votar a Lei sobre o porte da maconha.
Uma pena que quem deveria ler sobre divulgação científica antes de se manifestar publicamente sobre um assunto polêmico e necessário para a saúde pública de um país, desconhece e ignora uma publicação como a de Hart. Cínicos, no mínimo, são essas pessoas que penalizam e difamam pessoas negras e pobres, que fumam um baseado para esquecer a miséria deste país e acabam presas pela discriminação e represálias. O relato de Carl Hart é uma denúncia à atual política contra as drogas, contra todos que recriminam o uso dessas substâncias.
‘Descriminalização costuma ser confundida com legalização, embora não sejam a mesma coisa. E aqui está a principal diferença: na legalização, venda,compra, uso e posse de drogas são legais. As políticas que hoje adotamos de regulamentação do álcool e do tabaco, para os que têm idade permitida, são exemplos de legalização de drogas. Na descriminalização, por outro lado, a compra, o uso e a posse de drogas podem ser punidos por intimação judicial, exatamente como acontece com o tráfico. As drogas continuam a não ser legais, mas as infrações não levam a condenações penais – exatamente aquilo que tem impedido tantas pessoas de conseguir empego, habitação, benefícios governamentais, tratamento, e assim por diante. Isso é crucial, quando levamos em conta o seguinte fato: todo ano, mais de 80% das detenções por delitos envolvendo drogas no EUA dizem respeito à simples posse’.
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