
Fui um menino muito medroso, dos medos reais e dos não tanto assim. Não sabia e até hoje não sei, como estes medos apareciam/aparecem e como me afetavam. Fui racionalizar o medo quando comecei a praticar esportes, serviu-me como um mediador. Precisava ter certeza das minhas “hipóteses” de que alguns gestos esportivos, de me jogar na piscina, saltar de um trampolim, arremessar um adversário no tatame ou mesmo, encarar um adversário em uma pelada (futebol) de rua, fosse apenas esporte e não um “desafio.”
Acho que o trauma de enfrentamento sempre foi um trauma da minha vida, demorei para superar estes sofrimentos. A primeira grande superação aconteceu quando aprendi a cair no judô, passei muitas aulas me agarrando nas costas dos colegas com medo de cair, era um vexame total. Por outro lado, a insistência foi uma virtude. Isso me ajudou a conviver com os medos, não a superá-los.
Freud quando introduz a “metapsicologia” concebe um modelo de psiquismo. Este outro “ser”(psique) dentro dos nossos medos é resultado dos aspectos biológicos, cognitivo-representacionais e socioculturais, entrelaçados por um complexo genético.
Assim, o psique torna-se sustentável e compreensível, pois é construída ao longo da vida, induzida pelos fatores relacionais, neurológicos, sociais e educacionais. Por isso a importância da família nesta construção, da escola – professores e colegas – e das oportunidades que nos oferecem nesta caminhada.
Nossas emoções e comportamentos são também respostas do nosso psiquismo, de como tudo isso foi estabelecido e acolhido. Na fase adulta da vida, nos deparamos com outros medos, com novas emoções, desejos, sonhos e complexificações. O psique vai nos acompanhar durante toda a vida, nos empurrando ou nos intimidando.
Eis os segredos para conviver bem com a psique: feche os olhos, esqueça que está sendo consumido por pensamentos improdutivos, foque no silêncio e no vazio. Quem sabe assim podemos pelo menos em alguns minutos considerar a possibilidade de controlar a psique.
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