Após três dias concentrado em um trabalho científico sobre lesões no joelho, confesso que me deu vontade de assistir Quem Matou Odete? A ciência se envolve em afirmações e, quando não encontra respostas, busca explicações. Esse caminho, porém, abre pouco espaço para filosofar e confirmar uma verdade mais ampla: a de que ainda não sabemos tantas coisas — inclusive a identidade da assassina de Odete. Nas minhas leituras sobre o joelho, senti falta justamente do que refresca e engrandece o conhecimento: as origens das palavras, um recurso que poucos se lembram de usar.
Corri para o Caetano Galindo (Na ponta da língua) para aprender com ele: (…) joelho vem do latim genus (genuculus), que queria dizer, ora, ‘joelho’, não é exatamente a novidade mais empolgante. (…) E por que em italiano a mesma palavra rendeu ginocchio? E o que isso tem a ver com knee, do inglês?
(…)Igualmente manjada é a série de chacinas sonoras que vai acabar desossando aquele genuculus primeiro em geolho (séc. XIII). (…) Mas, como em toda boa reunião de família, sempre há de alguém que destoe. E dessa vez foi o espanhol, que preferiu o termo rodilla, que significa ‘rodinha’.
Nos momentos em que a atenção ameaça naufragar, recorrer à etimologia é um salva-vidas. Afinal, quando a mente insiste em vagar, melhor mesmo é participar de um bolão para adivinhar quem matou Odete.





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