Já comentei neste espaço sobre um dos maiores gênios da humanidade, infelizmente pouco reconhecido e valorizado: Luís Braille. Nascido em Coupvray, um vilarejo próximo a Paris, ele perdeu a visão aos três anos de idade, em 1812, enquanto brincava na oficina do pai. Anos depois, quando a família conseguiu aceitar a cegueira do filho, perguntaram a Braille o que ele lembrava das imagens. Sua resposta foi: “Sei o que significa quando se fala de cor, mas não posso vê-la dentro de mim. Sei perfeitamente que existe a cor, mas ela não passa de uma ilusão que vivo a perseguir eternamente” (J.A. Kugelmass)
Essa resiliência e curiosidade fizeram do menino o criador de um método que leva seu nome, permitindo que milhões de pessoas no mundo possam ler e escrever em relevo. Se a inspiração para a criação do método veio de um projeto do exército francês, a execução do projeto definitivo foi resultado de uma inteligência ímpar. Observe o alfabeto Braille e perceba que cada retângulo — chamado de cela Braille — possui seis espaços para preencher com um instrumento chamado punção. Na coluna da esquerda da cela, estão os pontos 1, 2 e 3; na direita, os pontos 4, 5 e 6. Com essa combinação de até 64 possibilidades, pode-se escrever em Braille qualquer coisa que se escreve em tinta. Ele é ou não é um gênio?

Alfabeto Braille (modelo simplificado)

Reglete (onde se preenche os pontos braille e uma punção)




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