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Salvadores invisíveis

por Ruy Castro

O Brasil deve ao A.A. milhões de vidas refeitas. O primeiro brasileiro a se manter sóbrio chamava-se Antonio

Nos EUA, está fazendo 90 anos. No Brasil, quase 80. Não é um gap tão grande diante do nosso habitual atraso para copiar as coisas positivas dos americanos. O A.A. (Alcoólicos Anônimos) nasceu em 1935, em Nova York, quando Bill Wilson e Bob Smith, tendo parado de beber havia pouco, se conheceram e descobriram que um podia ajudar o outro a não recair na bebida. Nascia ali o conceito de que, mesmo no fundo do poço, ninguém está sozinho. Nasciam também uma teoria e uma prática que fizeram ver o alcoolismo não mais como um desvio moral, mas como uma doença que permite tratamento.

No Brasil, foi igual. Em 1945, um americano, Herb, diretor de arte de publicidade chegado ao Rio para trabalhar numa agência, encontrou aqui outros americanos que, como ele, tentavam ficar sem beber. Herb tinha a experiência de uma seção do AA em Chicago e passou a promover reuniões em seu apartamento no Flamengo. O grupo cresceu, mas, no começo, só americanos compareciam. Em 1947, vieram os primeiros brasileiros. As reuniões passaram a ser feitas na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), no Castelo, e o A.A. do Brasil foi reconhecido pela instituição nos EUA. O primeiro brasileiro a se manter sóbrio chamava-se Antonio. O A.A. logo se espalharia por vários bairros do Rio e pelo Brasil.

O A.A. é uma organização quase invisível. Não é uma clínica, não usa dinheiro, não é um clube com carteirinha e não pretende ser infalível. Seus frequentadores são estimulados a se tornarem responsáveis por si mesmos —sem remédios, sem muletas. Funciona em espaços que lhe são emprestados, às vezes salas nos fundos de igrejas, mas sem se confundir com elas. Agnósticos e ateus também precisam de ajuda e a recebem.

Hoje, o A.A. enfrenta um novo desafio: o aumento do consumo de álcool pelas mulheres —uma condição quase imperceptível, porque elas tendem a beber dentro de casa, até para escapar do perigo da rua, do estigma e dos preconceitos.

O Brasil deve ao A.A. milhões de vidas salvas e refeitas.

FSP (22/06/25)

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