
APRESENTAÇÃO – Deficiência Visual na Escola Inclusiva – Segunda Edição, 2023, Intersaberes
Carlos Mosquera
Começo agradecendo a editora Intersaberes pela oportunidade de continuar e atualizar este livro que agora está editado. Segunda edição de qualquer livro sempre é mais reflexivo, didático e provocativo. Se afastar de Procrusto, numa linguagem mais livre, pode ser o interesse deste livro, ou seja, não precisar de “alinhamentos” ou de métricas, como sempre quis o mitológico Procrusto.
Como a temática principal deste material é a deficiência visual, seja num contexto escolar ou da própria patologia, conhecer a beleza dos olhos e suas projeções nos ajudam a entender este binômio visão/cegueira. Nossas vidas e relações emergem destes milhões de células na retina e no córtex visual que, em situações de desvantagem e impedimentos, podem rearranjar o “ver” o mundo. É deste “novo” olhar que trata o livro.
No primeiro capítulo, instigo a importância de conhecer os primeiros registros da deficiência visual como extensão do que propomos atualmente em Políticas Públicas. Conhecer a visão é entender que enxergamos com o cérebro, é no córtex visual que traduzimos o que a retina nos envia. Mas compreender também que a retina possui células que determinam como enxergamos as cores do mundo.
Atendimento de qualidade em escolas inclusivas é obrigação de qualquer projeto educacional, mas esquecemos que a prevenção deveria ser outra prioridade. Prevenir a cegueira, como em qualquer deficiência, são procedimentos inclusivos e inteligentes, por isso a necessidade em mudar os currículos escolares. Se as causas já são conhecidas, como descritas no capítulo 2 deste livro, fica mais fácil a prevenção. Definições e classificações sobre a deficiência visual são outros assuntos deste capítulo.
No capítulo seguinte, terceiro, apresento entre outros métodos usados na alfabetização de pessoas com deficiência visual, o braille e o soroban. Este para facilitar os cálculos matemáticos, o outro, para a leitura e escrita em relevo. Há uma discussão em curso que ainda não foi implementada, mas, algumas tendências indicam em eliminar o método braille na alfabetização de crianças cegas, substituindo por escritas digitais. Neste capítulo reforço à necessidade em utilizar o braille e soroban como reforço pedagógico e prioridades educacionais.
No último capítulo, proponho o recurso da Orientação e Mobilidade (OM) como sendo transversal ao currículo das escolas. Reconhecendo a bengala branca como extensão do corpo de uma pessoa cega ou com baixa visão, motivo no qual não podemos desprezar. Ensinar a criança a aprender a usar e brincar com a bengala, deveria ser prioridade em qualquer escola inclusiva. O mesmo com as adaptações dos recursos ópticos, discutido amplamente nas escolas, uma pena que é pouco utilizado.
São muitos os discursos e as receitas “prontas” que se somam sobre a escola para todos, mas na prática, poucos projetos são realmente transformadores. Conhecimentos técnicos, muita leitura e projetos pensados na transformação real da escola, são caminhos a desbravar. Sobre isso que trata este livro, a segunda edição da Deficiência Visual na Escola Inclusiva. Sem fórmulas prontas, apenas com reflexões sobre os métodos pedagógicos imprescindíveis para a Escola que queremos.
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