O Jardim de Infância General Osório — acho que foi o único no mundo com o nome de um general — funcionava numa das dependências do Clube Círculo Militar do Paraná. Eu morava colado ao Hospital das Clínicas, ou seja, pertinho do clube. No jardim, estava cercado de atividades esportivas: todos os dias presenciava gente nadando, jogando bola, basquete, judô e tudo o que tinha direito, já que o clube oferecia essas atividades.
Era meu irmão mais velho que segurava minha mão para me levar à escola. Uma combinação de ternura e aventura: saía de casa sem os pais, para me entregar à proteção da tia.
Mas não era só isso que cativava minha curiosidade e meu desejo de ir à aula: eu recebia e reconhecia o carinho da tia Glorinha, uma professora inesquecível. Tanto é que estou escrevendo sobre ela num dia especial para todas as “glorinhas”. Se nos lembramos dessas pessoas tanto tempo depois de cruzarem a nossa vida, é porque deixaram marcas, pegadas, atravessaram corações e emoções. Como eu era um menino muito inseguro — já comentei sobre isso neste espaço —, ao chegar à escola e me acomodar na frente da professora, transformava-me num “gigante” menino. O desejo de aprender vinha da curiosidade; o de participar das aulas, da segurança. A segurança que sentíamos com a tia era suficiente para terminar bem o dia. Assim era para todos da classe. Pelas poucas lembranças, tinha tudo para não ir à escolinha: vestia botas ortopédicas, um uniforme que impedia qualquer movimento mais amplo, uma lancheira que deixava marcas no pescoço, um ki-suco que deixava os dentes marcados. Só por amor!
Muitos anos depois, tive o prazer de ser convidado pela diretora Glorinha para dar aulas de judô na escola dela, também em Curitiba. Ali como lá, a sensação de bem-estar era enorme; o tratamento era profissional e acolhedor, como lá. Vivi um ano — o tempo que passei na escola da Glorinha —, curtindo um amor inesquecível, em minhas aulas, ela sempre perguntava se estava precisando de algo. No intervalo, sempre agraciado com doces. Isso tudo era revertido na atenção aos alunos. Por tudo isso, sempre tive um desejo enorme de ser professor como a tia Glorinha.
p.s. outros professores ainda lembro com muito entusiasmo, outro dia conto





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