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Devaneios

Façamos um esforço para imaginar uma bengala de cegos — a tradicional, a mais usada, de alumínio — encostada em uma parede, ao lado do quadro do professor. A bengala está propositalmente neste lugar. O(a) professor(a) pergunta aos alunos o que significa aquele objeto parado. O que eles responderiam? Certamente a resposta seria a mesma em qualquer lugar do mundo: “uma bengala para cegos”. O professor insiste: “só isso”? Se nós não mudarmos o olhar, não mudamos a nossa realidade. Se perguntarmos para uma criança, ela vai dizer que é um foguete; para um poeta, a resposta poderia ser uma instalação, uma de Marcel Duchamp, por exemplo.

A neurociência pode nos ajudar a explicar por que olhamos e, muitas vezes, não enxergamos. O olhar, para a neurociência, pode ser entendido como top-down — quando olhamos por categorizações, um olhar rápido e funcional — ou bottom-up — um olhar sem metas, sem objetivos, um devaneio. Dessa forma, quando enxergamos pelo prazer no olhar (bottom-up), podemos interferir e refazer alguns conceitos cristalizados em nossos dias.

Uma bengala poderia ser observada como um suporte para pessoas incríveis, que trilham caminhos sem o uso da visão, que “observam” o mundo pela janela da alma, graças ao “companheiro de vida”. Hoje em dia, as pessoas não chamam seus pets de “filhinho” e fica por isso? Por que uma bengala precisa ser vista apenas como uma bengala?

ago 4, 2026Carlos Mosquera
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Carlos Mosquera
4 de agosto de 2026 Uncategorized
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