Não sei se a felicidade é ordinária, quem sabe! Sei que é isso que todos buscam, não sei se encontram. Não foi pelo título, foi pela psicanálise que agora me debruço com o livro de Vera Iaconelli (Zahar, 2024). Felicidade Ordinária aborda de forma ‘fluída e consistente temas como relações afetivas, feminismo, masculinidade, educação, sexualidade, política e, claro, parentalidade’.
“A primeira mulher a ser aceita no grupo de psicanalistas capitaneado por Freud chamava-se Margarete Hilferding. Reunidos desde 1902 para discutir a teoria recém-criada, os arautos da psicanálise confabularam bastante antes de permitir que uma mulher (médica, é claro) entrasse no clube. Que o assunto ‘mulher’ – seu desejo, sua histeria – fosse onipresente na teoria psicanalítica não foi justificativa suficiente para que uma mulher de carne e osso entrasse nas reuniões – fato que por fim se deu em 1910.
Um ano depois, Margarete Hilferding profere uma conferência, disponível no livro “As bases do amor materno(1991), de Teresa Pinheiro, na qual revela uma teoria incrivelmente atual. Margarete fala basicamente duas coisas: a primeira é que o amor materno não é institual e é ambivalente. A segunda é que o parto é um evento erótico. Passados 107 anos, as duas afirmações ainda arrepiam a nuca da marmanjos e marmanjas (…)’. (p. 47)





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