
Me aproximei dos livros do Marcelo Gleiser, mesmo não conhecendo nada de física e astronomia, e sim, pelos caminhos que percorre com a espiritualidade, esporte e facilidade em informar temas complexos. No primeiro caso, Gleiser já ganhou o prêmio Templeton, considerado o “Nobel da espiritualidade”. Quanto ao esporte, gosto dos relatos que o autor faz de suas práticas de corridas longas, digo, muito longas. Tem muita experiência na área esportiva, já foi atleta de seleção brasileira de vôlei. Para transformar temas de difícil interpretação em leitura corrente, isso é para poucos.
Sobre O despertar do universo consciente – Um manifesto para o futuro da Humanidade (Record), fui buscar espiritualidade, nem um momento pensei, quando comprei o livro em “um novo projeto de civilização”. Já desisti da civilização faz tempo e não acredito em um novo projeto. Minhas crenças perpassam em algumas pessoas, as que fazem acontecer, só isso.
E foi logo no começo da leitura que encontro uma destas pessoas, além de fazer a diferença, consegue aliviar os meus “pecados”. Estou falando de Copérnico que em 1543 publica “Sobre as revoluções das esferas celestes”. Não é pouca coisa para um estudioso revolucionar o mundo escrevendo sobre uma nova perspectiva do nosso lugar no universo. Hoje é fácil compreender Nicolau Copérnico, a Terra não é o centro do universo, mas um mero planeta girando em torno do sol. Esta evidência mudou o comportamento do mundo, mas a escola esqueceu de me (nos) avisar o que tinha por trás disso.
Se a terra não era mais o centro do universo, e sim, uma rocha orbitando uma estrela comum, para mim ou para nós, sobrou apenas a insignificância cósmica. Se você é pecador como eu, carregando pesos desnecessários, por que me (nos) sinto pecador e solitário? A fé em Deus foi tansferida para a fé na ciência. “No entanto, as aplicações da ciência não são desinteressadas, como seria, ao menos em princípio, um Deus onipotente e bom.” Marcelo, continua com sua proposta e lógica, “Como nos reinventar, transformando a nossa relação com o planeta?
Sobre a minha solitude e os meus pecados, mesmo sabendo que a terra gira e não fico tonto e não caio por isso, fico mais leve e mais consciente da minha e nossa insignificância. Também influenciado pelo livro, descubro que “o dia em que Copérnico finalmente viu o seu livro pronto, foi o dia em que morreu.” O editor do livro alterou algumas passagens da escrita porque sabia que o “mundo não estava pronto para este tipo de conhecimento.” O preço da sua alteridade foi um infarto.
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